OPERAÇÃO URBANA CONSORCIADA ÁGUA BRANCA

A comunidade da Zona Oeste quer informações mais detalhadas sobre todas as intervenções previstas na Operação Urbana Consorciada Água Branca. Quer a realização de Audiências Públicas Temáticas (drenagem, patrimônio, viário, equipamentos públicos, mudanças climáticas, uso e ocupação do solo dentre outros), e de Audiências Públicas Devolutivas, com tempo suficiente para compreensão do problema e debates/proposições, visando o estabelecimento de um diálogo maduro, responsável, competente e comprometido com a sustentabilidade e a qualidade de vida de nossos bairros e moradores.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Expedição de Reconhecimento do Percurso do Córrego Água Branca

O Conselho de Zeis da Água Branca, o Grupo de Gestão da Operação Urbana Consorciada Água Branca, o Conselho de Meio Ambiente – CADES da Lapa, o Conselho Participativo da Lapa, o Instituto Rogacionista Santo Aníbal, a Praça Nova Lapa, o Movimento Água Branca, a iniciativa Rios & Ruas, a Prefeitura Regional da Lapa e a Divisão de Gestão Descentralizada Centro Oeste da Secretaria do Verde e Meio Ambiente convidam você e a sua família para participar da 
Expedição de Reconhecimento do Percurso do Córrego Água Branca
atividade comemorativa do Dia Mundial da Água.

Córrego Água Branca, originariamente um braço do Rio Tietê, passa por baixo de ruas e avenidas e chega aberto no rio.
Nas suas margens e entorno vivem milhares de pessoas, adultos, jovens e crianças, que interferem no seu leito ou sofrem as consequências dessas interferências.
O futuro prevê um parque linear no seu entorno[1], mas o presente indica que são necessárias ações de conscientização, preservação e manutenção, envolvendo a sociedade civil e o poder público.


O Córrego Água Branca é aberto no trecho entre a
Av Marquês de São Vicente e Marginal do Tietê.

Uma ocupação com barracos se formou em setembro de 2017,
em um dos trechos do Córrego Água Branca. 

Programação - Dia 25 de março – das 9 às 12h30

Não esqueça do boné, protetor solar e sapato confortável para caminhar. 
E venha mesmo se chover.


9h Encontro e apresentação do porque realizar esta atividade, informações e histórico.

Rua Capitão Francisco Teixeira Nogueira, 383 - na frente da Creche CEI Santo Anibal

- Dia Mundial da Água, água como bem comum, sua gestão precisa considerar os interesses das comunidades locais, por meio de um processo democrático de debate e decisão sobre projetos que interferem no uso da água e da terra, especialmente no caso de empreendimentos de infraestrutura hídrica.
- Importância do Córrego da Água Branca e o seu protagonismo com relação a comunidade do entorno.
- Histórico da Comunidade Água Branca, seus desafios, lutas e iniciativas.
- Projetos futuros – Parque Linear, previsto nas intervenções da OUCAB, onde o envolvimento da comunidade é importante para pensar o que queremos para esse parque; implantação de uma horta na Creche.
- Identificar área que o Córrego Água Branca está localizado com o uso de mapinhas.

Utilizando mapas do território, datados de 1930, 1958 e recentes, a expedição sairá do trecho em que o Córrego Água Branca está aberto e percorrerá o bairro, reconhecendo e identificando seu percurso até a sua nascente.

9h20 Plantio simbólico na rua revitalizada pela Comunidade.

9h40 Percurso do Córrego no trecho aberto, pela Av José Nelo Lorenzon, Comunidade Água Branca.

10h Parada no trecho final aberto, antes da Av Marquês de São Vicente, informações e histórico. 
Apresentação do histórico dos terrenos públicos cedidos para times de futebol e escolas de samba a título gratuito (CT São Paulo, CT Palmeiras, GR Mancha Verde, ES Pérola Negra), terrenos que estão destinados na Lei da OUCAB para parque público e CEU.

10h20 Conhecendo o caminho subterrâneo do Córrego Água Branca até a sua nascente.
Nacional AC, Rua Comendador Sousa, Av Santa Marina, passando pela passarela sobre linha férrea, Ruas Guaicurus e Joaquim Ferreira.

12h30 Encerramento e informações de continuidade desta ação
Rua Joaquim Ferreira.

Orientação durante a Expedição
Cyra Malta – CADES Lapa 
Luiz Campos Jr. – Rios e Ruas
Fernanda Campos Luiz - Coordenadora de Educação Ambiental SVMA DGD CO1
Valter Lima – Coordenador de Biodiversidade SVMA-DGD CO1
Ana Carla dos Santos e Bruno da Silva – Conselho da Zeis Água Branca
Adriana Bogajo, Dulcinea Pastrelo, Jupira Cauhy – Grupo de Gestão da OUCAB

Em data a ser agendada
Oficina participativa sobre o Parque Linear Córrego Água Branca previsto na Lei da OUCAB.

A Água Branca é uma região de várzea do Rio Tietê, e sempre sofreu com alagamentos.
A Lei da Operação Urbana Consorciada Água Branca prevê nos seus objetivos “implantar parques lineares e projetos paisagísticos ao longo dos cursos d’água existentes, canalizando, com funções de lazer e de retardamento do escoamento de águas pluviais”.
Está previsto no plano de intervenções públicas da OUCAB, a implantação de um Parque Linear em área que envolve o Córrego da Água Branca e os dois terrenos públicos localizados na Av. Marquês de São Vicente, hoje cedidos pela prefeitura e pela câmara de vereadores, a título gratuito, para dois times de futebol (SC São Paulo e SE Palmeiras).
A oficina participativa terá como objetivo identificar as necessidades, desejos e propostas dos moradores do entorno do Córrego e região, para subsidiar as diretrizes do desenvolvimento do projeto do Parque Linear.

Informações pelo e-mail conselhozeisaguabranca@gmail.com  

domingo, 18 de março de 2018

O Córrego Água Branca e o Dia Mundial da Água

O Conselho de Zeis da Água Branca, o Grupo de Gestão da Operação Urbana Consorciada Água Branca, o Conselho de Meio Ambiente – CADES da Lapa, o Conselho Participativo da Lapa, o Instituto Rogacionista Santo Aníbal, a Praça Nova Lapa, o Movimento Água Branca, a iniciativa Rios & Ruas, a Prefeitura Regional da Lapa e a Divisão de Gestão Descentralizada Centro Oeste da Secretaria do Verde e Meio Ambiente convidam você e a sua família para participar das atividades comemorativas do Dia Mundial da Águatendo como tema  o Córrego Água Branca.

Córrego Água Branca, originariamente um braço do Rio Tietê, passa por baixo de ruas e avenidas e chega aberto no rio.
Nas suas margens e entorno vivem milhares de pessoas, adultos, jovens e crianças, que interferem no seu leito ou sofrem as consequências dessas interferências.
O futuro prevê um parque linear no seu entorno[1], mas o presente indica que são necessárias ações de conscientização, preservação e manutenção, envolvendo a sociedade civil e o poder público.

O Córrego Água Branca é aberto no trecho entre a
Av Marquês de São Vicente e Marginal do Tietê.

Uma ocupação com barracos se formou em setembro de 2017,
em um dos trechos do Córrego Água Branca. 

Serão realizadas atividades educativas com crianças, jovens e adultos nos dias 21 e 22 de março de 2018, no Centro de Educação Infantil Aníbal di Francia, Centro Comunitário São Lucas e na Comunidade Água Branca.
No dia 25 de março, será realizada uma expedição de reconhecimento do percurso do Córrego Água Branca, aberta a todas e todos interessados, com orientação de especialistas.


Atividades, datas e endereços:

Entre os dias 10 e 24 de março de 2018.
- Mutirão de limpeza do Córrego Água Branca, realizado por moradores da Comunidade Água Branca e equipes da prefeitura.

Dia 21 de março de 2018

- Alunos(as) e educadores do Centro Comunitário São Lucas (6 a 14 anos) farão uma visita ao Córrego Água Branca.
das 9 as 10h30 e das 14 as 15h30

- Conversa com moradores da comunidade Água Branca e trabalhadores da reciclagem sobre pragas urbanas e a relação com a preservação e limpeza da comunidade e córrego.
das 18h30 às 21h
Av Francisco Teixeira Nogueira, 383 (CEI Santo Aníbal)


Dia 22 de março de 2018

- Atividade educativa sobre o tema com as crianças da Centro de Educação Infantil Aníbal di Francia  (0 a 2 anos)
das 8h30 às 10h 



- Atividades educativas sobre o tema com alunos/as (6 a 14 anos) e educadores do Centro Comunitário São Lucas
das 9 as 10h30 e das 14 as 15h30
Av Santa Marina, 534 – Água Branca


Dia 25 de março – das 9 às 12h

- Expedição de reconhecimento do percurso do Córrego Água Branca,
Utilizando mapas do território, datados de 1930, 1958 e recentes, a expedição sairá do trecho em que o Córrego Água Branca está aberto e percorrerá o bairro, reconhecendo e identificando seu percurso até a sua nascente.

Das 9 às 9h40 – Conversa sobre a preservação do Córrego Água Branca e plantio simbólico na rua da margem do Córrego Água Branca (onde hoje já há uma iniciativa dos moradores).
Das 9h40 às 12h – Expedição 

Ponto de encontro:
Centro de Educação Infantil Aníbal di Francia
Av Francisco Teixeira Nogueira, 383 – Água Branca
Faremos a expedição com sol ou com chuva.

Região do Córrego Água Branca em 1930 - (Luiz, Rios e Ruas)


Em data a ser agendada
- Oficina participativa sobre o Parque Linear Córrego Água Branca previsto na Lei da OUCAB.

A Água Branca é uma região de várzea do Rio Tietê, e sempre sofreu com alagamentos.
A Lei da Operação Urbana Consorciada Água Branca prevê nos seus objetivos “implantar parques lineares e projetos paisagísticos ao longo dos cursos d’água existentes, canalizando, com funções de lazer e de retardamento do escoamento de águas pluviais”.
Está previsto no plano de intervenções públicas da OUCAB, a implantação de um Parque Linear em área que envolve o Córrego da Água Branca e os dois terrenos públicos localizados na Av. Marquês de São Vicente, hoje cedidos pela prefeitura e pela câmara de vereadores, a título gratuito, para dois times de futebol (SC São Paulo e SE Palmeiras).
A oficina participativa terá como objetivo identificar as necessidades, desejos e propostas dos moradores do entorno do Córrego e região, para subsidiar as diretrizes do desenvolvimento do projeto do Parque Linear.


Informações pelo e-mail conselhozeisaguabranca@gmail.com  





[1] Parque Linear Córrego Água Branca, projeto da Operação Urbana Consorciada Água Branca

Dia 22 de março - Dia Mundial da Água

“O ritmo civilizatório é desumano: a má distribuição e a escassez são agravadas diante da apropriação da água para fins comerciais. Grandes corporações promovem um processo de mercantilização da água nos moldes usuais do mercado global: lucrar e distribuir dividendos a um reduzido grupo de investidores. Isso é inaceitável! Não se pode comprar chuva, não se pode comprar sol…  É um contrassenso tornar a água mera mercadoria e isso levará o mundo a um futuro ainda mais injusto e perigoso
A água é um bem comum. Isso nos leva a compreender também que sua gestão precisa considerar os interesses das comunidades locais, em especial os excluídos ou silenciados frente à forte voz do mercado, por meio de um processo democrático de debate e decisão sobre projetos que interferem no uso da água e da terra, especialmente no caso de empreendimentos de infraestrutura hídrica.
É preciso construir uma nova cultura da água, sustentada em valores éticos, ecológicos e culturais que garantam a inclusão e a justiça socioambiental, prezando pela transparência e participação popular ampla e representativa dos diferentes setores da sociedade.
É fundamental a compreensão de que a água é um bem comum que não pode ser gerido por interesses privados e que, mesmo uma gestão do Estado, que em teoria deveria prezar pelo bem comum, sem controle social e participação democrática, poderá priorizar o atendimento aos grandes interesses privados, como ocorre em casos de concessões de uso de fontes para exploração mineral, parcerias público-privadas dos serviços de saneamento público, entre outros”. (FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água)

quinta-feira, 8 de março de 2018

Dia 8 de março - O que é?

De Mulher para Mulher
Pratique a sororidade
Empodere-se
Lute pela sua liberdade
Lute pelos seus direitos
Lute pelo tratamento com igualdade entre homens e mulheres

De Mulher para Homem
Quando as mulheres receberem salários igual aos homens, receberem respeito e consideração, receberem oportunidades iguais na vida, não serem violentadas nem mortas por serem mulheres, e partilharem efetivamente o poder na sociedade, aceitaremos receber os parabéns no dia 8 de março.


Dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher

O que é?

É um dia para receber parabéns? flores? chocolate? promoção em supermercado?

NÃO!

É um dia para marcar que as mulheres ainda lutam, e muito:

- pelo fim da violência doméstica (milhares de mulheres são agredidas pelos homens da sua família).

- pelo direito a segurança e a vida (um terço das mulheres no Brasil relataram ter sofrido algum tipo de violência. Delas, apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e em 43% dos casos a agressão mais grave foi no domicílio. No Brasil 12 mulheres morrem, por dia, por feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. O Brasil ocupa a 7ª posição entre as nações mais violentas para as mulheres de um total de 83 países).

- pelo fim da violência sexual de homens contra mulheres (milhares de mulheres são assediadas, violentadas, estupradas diariamente, em casa, no trabalho e na rua. Por homens desconhecidos e também por homens conhecidos).

- para receber salário igual ao homem (no Brasil, os homens recebem salários 30% maiores que as mulheres).

- para que as mulheres não trabalhem mais que os homens (no Brasil, mulheres trabalham em afazeres domésticos e cuidados de pessoas 83% a mais que os homens. Muitas tem tripla jornada – trabalhadora, cuidadora de crianças e idosos e afazeres da casa).

- para que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens no estudo  e trabalho científico e tecnológico.

- pelo direito à proteção, à saúde e ao desenvolvimento educacional e profissional das meninas

E tem mais
Direito à vida; à liberdade e à segurança pessoal; à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação; à liberdade de pensamento; à informação e à educação; à privacidade; à saúde e à proteção da sua saúde; a construir relacionamento conjugal e a planejar sua família; a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los; aos benefícios do progresso científico; à liberdade de reunião e participação política; a não ser submetida a torturas e maltrato.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

CARTA ABERTA AO PREFEITO DE SÃO PAULO JOÃO DÓRIA:

SÃO PAULO ESTÁ SENDO NEGOCIADA! COMO A
PROPOSTA DE REVISÃO DA LEI DE
ZONEAMENTO IMPACTA O FUTURO DA CIDADE?

Passados menos de dois anos da aprovação da nova lei de Zoneamento da cidade (Lei 16.402/16) a Prefeitura de São Paulo apresentou propostas de alterações da lei vigente, e do Plano Diretor de forma indireta, com previsão de aprovação ainda neste primeiro semestre de 2018. A divulgação desta proposta, que vai muito além de um mero "ajuste" aconteceu em período de recesso e as audiências públicas, agendadas entre os dias 20 e 28 de fevereiro deste ano, não têm sido amplamente divulgadas para a população, além de possuir caráter meramente figurativo, apenas cumprindo com os parâmetros legais para a aprovação da lei; não proporcionando uma participação democrática e efetiva, que possibilite a discussão e incorporação de propostas da população em geral.

Quanto ao conteúdo apresentado no referido processo de revisão, e publicado em minuta no site Gestão Urbana SP no final do mês de dezembro de 2017, afirmamos nossa discordância: parte dessas alterações ferem princípios e parâmetros estabelecidos no Plano Diretor Estratégico, premiado pela ONU-Habitat como uma das melhores práticas urbanas, que são centrais para orientar o desenvolvimento ordenado da cidade, do ponto de vista social, ambiental, econômico e imobiliário, iniciativas que vêm sendo adotadas e reconhecidas em diversas cidades pelo mundo.

Vejamos, porém, o que está por trás dessa proposta de revisão que atende a interesses privados, de um setor específico da cidade, em detrimento ao interesse público:

1) REDUZ EM BILHÕES DE REAIS A ARRECADAÇÃO DO FUNDO DE DESENVOLVIMENTO URBANO (FUNDURB), UTILIZADO PARA FINANCIAR MELHORIAS URBANAS NAS ÁREAS MAIS VULNERÁVEIS DA CIDADE

Do ponto de vista do “equilíbrio econômico”, tem ganhado destaque nas alterações propostas o desconto na outorga onerosa, ou seja, a redução dos valores que o setor imobiliário deve pagar à Prefeitura para adquirir potencial construtivo adicional. Diminuindo a arrecadação em outorga, diminui a capacidade de investimento do FUNDURB, cuja finalidade é redistribuir investimentos nas áreas mais vulneráveis da cidade. Ou seja: enquanto a PMSP necessita de investimento em inúmeras áreas vulneráveis da cidade e alega precisar de recursos (sugerindo, inclusive, privatizar setores da cidade e estabelecer diversas formas de parceria com o setor privado, a fim de supostamente desonerar os serviços públicos), essas alterações na Lei de Zoneamento farão com que a Prefeitura deixe de arrecadar, aproximadamente, cerca de R$ 150 milhões por ano para favorecer o setor imobiliário (segundo dados do Sistema Municipal de Monitoramento do Plano Diretor de março de 2017). Em 15 anos, tempo de vigência do Plano Diretor, a soma pode chegar a valores próximos a R$ 2,2 bilhões de reais! Em números brutos, isso pode equivaler a 10 hospitais, ou 40 Centros Educacionais Unificados - CEUs. Ao se considerar a parcela de 30% do Fundurb que poderia ser destinada para aquisição de terrenos para habitação de interesse social, aproximadamente R$ 660 milhões deixariam de ser arrecadados. O mesmo vale para parcela de 30% destinada às melhorias no Transporte Público, que perderia investimentos em ciclovias e calçadas.

Mais uma vez as periferias da cidade seriam as regiões mais prejudicadas. Necessário observar também que a baixa arrecadação de 2017 pode estar vinculada à uma expectativa de ganho dos produtores imobiliários que desde a campanha eleitoral já possuem o compromisso do atual prefeito de rever a lei e baixar a outorga. Ou você, compraria um bem hoje sabendo que amanhã será promovido um desconto geral para todos?

2) ESTIMULA A CONSTRUÇÃO DE MAIS EDIFÍCIOS, MAIS ALTOS, NOS MIOLOS DE BAIRROS JÁ SATURADOS, COMPROMETENDO A FORÇA INDUTORA DO PLANO DIRETOR

A proposta altera a hierarquia de gabaritos estabelecida no Plano Diretor, cuja lógica é proporcionar maior atratividade de transformação nas áreas da cidade onde há oferta de transporte público coletivo, preservando os miolos de bairro. A revogação do limite de gabarito de altura estabelecido em 28 metros nas Zonas Mistas (ZM), zona que abrange maior parte da cidade, permite o retorno da possibilidade de construção de espigões que não promovem interação com a via pública e qualidade ambiental. Esta prática é recorrente do mercado imobiliário e visa com o mesmo aproveitamento do coeficiente do terreno um maior ganho na venda de apartamentos mais altos, vende-se a vista, comprometendo a urbanidade entre os conjuntos e a cidade, bem como a possibilidade de tipologias distintas para as diferentes classes econômicas, pois se pretende o maior ganho.

3) DESESTÍMULA A MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL

A lei atual delimita a quantidade de vagas de garagem em edifícios residenciais, principalmente em áreas próximas a estações de transporte coletivo, demarcadas como Eixos de Transformação Urbana, visando estimular meios alternativos de transporte coletivo em detrimento do uso do automóvel. De acordo com a nova proposta, o limite máximo das vagas de garagem em empreendimentos residenciais é abolido, transformando todas as vagas de garagem em áreas não computáveis. Essa medida vai contra a intenção de formar cidades mais conscientes e contraria previsões expressas do atual Plano Diretor
Estratégico. Com isso é estimulado o maior uso do automóvel, gerando mais trânsito e ampliando a emissão de poluentes atmosféricos.

4) REDUZ OS MECANISMOS DE PRODUÇÃO DE HABITAÇÃO SOCIAL
EM ÁREAS BEM SERVIDAS EM SERVIÇOS E EMPREGOS

A minuta prevê a dispensa da obrigatoriedade de destinação de Habitação de Interesse Social (HIS) nas chamadas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) 3 nos casos de reforma de edificação existente em situação regular, independentemente da quantidade de área a mais que será construída. Isso, na prática, pode significar a “desmarcação” das ZEIS 3 já edificadas, mas sem uso ou subutilizadas, localizadas nas áreas centrais, dotadas de infraestrutura e serviços urbanos e próximas a locais com oferta de empregos - algo que contradiz totalmente os objetivos determinados pelo Plano Diretor,  tanto para essas zonas como para a política habitacional. Você sabia que o Templo de Salomão construído sobre uma ZEIS, assim como diversos conjuntos de alta renda, foram realizados enquanto este entendimento era uma brecha da lei antiga? A quem interessa, novamente, permitir que quem compra ZEIS (a preços menores) se abstenha de cumprir os objetivos dessas zonas?

Outra medida que reduz a obrigatoriedade de construção de Habitação de Interesse Social é a proposta de reduzir a destinação de unidades para famílias de 0 a 3 salários mínimos (HIS 1) de 60% para 50% quando for promovido apenas HIS no imóvel. Essa proposta novamente fere o Plano Diretor Estratégico de forma frontal, uma vez que reduz o percentual nele estabelecido, justamente relacionado ao atendimento das famílias com mais baixa renda, o que corresponde à maior parcela do déficit habitacional do município.

5) FLEXIBILIZA AS REGRAS PARA CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS SUSTENTÁVEIS

A regra denominada “Quota Ambiental”, que estabelece incentivos para edifícios com fachadas e tetos verdes, com mecanismos de retenção de água pluvial para reduzir enchentes, atualmente vale para lotes com área acima de 500 m². As alterações colocam que somente lotes com área acima de 1000 m². Com isso praticamente perde assim seu propósito, visto que terrenos dotados de tal área não representam a realidade da maioria dos lotes da cidade de São Paulo. Este mecanismo é fundamental para permitir que todas as construções possam contribuir em pequena parcela para uma cidade melhor. Ao se excluir a possibilidade de mitigação de cada lote o poder público relega ao futuro e à coletividade os custos de uma cidade desequilibrada!

6) ELIMINA OBRIGAÇÕES SOCIAIS E AMBIENTAIS PREVISTAS NO PLANO DIRETOR EM ÁREAS EM QUE HÁ INTENSA PRODUÇÃO IMOBILIÁRIA (OPERAÇÕES URBANAS)

As propostas apresentadas tornam o território das Operações Urbanas um lugar de exceção, de manutenção de um regramento urbanístico antigo, em descompasso com as questões contemporâneas da cidade, indo na contramão do Plano Diretor e do Estatuto da Cidade, não contribuindo para a estratégia de ordenamento territorial para uma cidade mais humana e sustentável. São dispensados, para estas áreas as regras relativas à: Cota de Solidariedade (que prevê a construção de habitação social); Quota Ambiental (que prevê edifícios verdes); Cota de Garagem (que estabelece regras sobre a área média das vagas de garagem); Cota-Parte Máxima de Terreno por Unidade (que delimita um número mínimo de unidades habitacionais a serem construídas em função da área de um determinado terreno); gabaritos de altura máximos; e, restrições ao número máximo de vagas de veículos não computáveis (aumentando a possibilidade de construir vagas de garagem).

7) REDUZ A REGRA PARA CONSTRUÇÃO DE ESPAÇOS PÚBLICOS EM GRANDES EMPREENDIMENTOS COMO UNIVERSIDADES E SHOPPINGS

Outra mudança incompreensível é a dispensa do limite de lote máximo para shoppings, universidades e futuros hospitais, passando de 20.000m² para 40.000m². A limitação de tamanho máximo é importante para a cidade porque sua transformação urbana tem sido acompanhada da aprovação de empreendimentos muito grandes, em terrenos que são ocupados sem que sejam abertas ruas, nem passagens para ciclistas e pedestres. Isso faz com que, para circular, tenhamos que dar grandes voltas em torno destas verdadeiras “ilhas urbanas”, geralmente muradas, que criam espaços ermos e inseguros. Especialmente os pedestres são os mais penalizados. Além disso, no zoneamento em vigor, a limitação está associada a outras regras que não valeriam mais com a aprovação da minuta, como a necessidade de doar áreas para uso público, por exemplo, para a construção de ruas, entre outras.

Importante ressaltar que 20.000m² é o tamanho de dois quarteirões da região da Paulista, ou seja, um empreendimento maior que isso não é compatível com uma cidade que se proponha a ser sustentável e para as pessoas.

8) ALTERA AS REGRAS QUE PRESERVAM VILAS E BAIRROS RESIDENCIAIS

Contraria regras existentes no Plano Diretor ao trazer dispositivos que geram efeitos negativos e condições para a deterioração e até o desaparecimento de territórios classificados como de PRESERVAÇÃO segundo a lei atual. É o caso das Zonas Exclusivamente Residenciais - ZER, que cumprem importante papel ambiental para toda a cidade e que serão impactadas pela inserção de novas regras de usos e ocupação de seus terrenos, que servirão como fatores desagregadores de seu equilíbrio e coesão urbanística. No caso dos bairros verdes, residenciais e horizontais, incentiva-se alterações das regras urbanísticas estabelecidas pelos loteadores e devidamente gravadas em registro público, sendo claro que lei superveniente mais permissiva não pode alterar regras que se constituíram ao longo do tempo em atos jurídicos perfeitos acolhidos pela Constituição. E ainda, as Vilas poderão ser “sufocadas” pela introdução de regras que diminuem as faixas envoltórias livres, promotoras de sua insolação e ventilação, permitindo a construção de prédios com gabaritos muito altos em seu entorno. É o aniquilamento planejado das nossas Vilas.

9) DESCONSIDERA AS DECISÕES DOS CONSELHOS DE PATRIMÔNIO CULTURAL NA APROVAÇÃO DE NOVOS PROJETOS

Na legislação atual caso novos projetos sejam apresentados na Prefeitura para aprovação antes do início da vigência de uma nova lei urbanística estes podem ser analisados de acordo com a legislação anterior, desde que sejam seguidos um conjunto de regras. Com a nova redação a atuação e o poder de intervenção de decisões Judiciais e do Ministério Público e das Resoluções de Conselhos de Preservação do Patrimônio é anulado.

E NO QUE ACREDITAMOS?
Posto isso, e reiterando a importância da construção democrática real no planejamento e definições dos rumos a serem tomados na cidade, solicitamos a SUSPENSÃO da revisão da Lei de Zoneamento até que :

1. Sejam retirados todos e quaisquer pontos que usam o subterfúgio desta revisão para ferir o Plano Diretor Estratégico;
2. Sejam apresentados e debatidos os estudos que motivaram a revisão e estudos técnicos com suas consequências;
3. Sejam produzidos materiais ilustrativos e vídeos que apontem os impactos das mudanças propostas para ampla difusão nos meios de comunicação de modo que a população possa compreender o que está em jogo;
4. Sejam distinguidas as propostas que são meros ajustes de redação e de aplicabilidade da Lei vigente daquelas que impactam o Zoneamento e o Plano Diretor, apontando seus impactos para cidade;
5. Seja pactuado um processo efetivamente participativo com:
a. Audiências e oficinas nas Subprefeituras;
b. Oitivas temáticas;
c. Reuniões com os diferentes segmentos da sociedade civil; e,
d. Etapas claras, ainda no executivo, para amadurecimento da proposta.
6. As respostas às contribuições da sociedade civil sejam sistematizadas, disponibilizadas em formato aberto e sua incorporação, ou não, seja devidamente justificada;

Assim acreditamos que a sociedade como um todo, e não apenas um segmento específico, poderá efetivamente participar sobre um tema que afetará profundamente o futuro da cidade.

São Paulo, 22 de fevereiro de 2018
--
SUBSCREVEM ESTA CARTA:
1. Frente de Luta por Moradia (FLM)
2. União dos Movimentos de Moradia (UMM)
3. Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento São Paulo (IABsp)
4. Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP)
5. Pólis - Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais
6. Rede Nossa São Paulo
7. Minha Sampa
8. Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade da FAUUSP (LabCidade)
9. Laboratório de Habitação e Assentamento Humanos da FAUUSP (LabHab)
10. Laboratório de Justiça Territorial da UFABC
11. Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
12. Ciclocidade - Associação dos Ciclistas Urbanos de Sao Paulo
13. IBDU - Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico
14. SampaPé
15. Cidadeapé
16. URBEM - Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole
17. Observatório de Remoções da FAUUSP
18. Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (FACESP)
19. Movimento pelo Direito a Moradia (MDM)
20. Idec - Instituto Brasiliero de Defesa do Consumidor
21. Conselho das Sociedades Amigos de Bairro (CONSAB'S)
22. Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura Mackenzie ( DAFAM FAU - Mackenzie)
23. Diretório Central dos Estudantes Alexandre Vannucchi Leme ( DCE Livre da USP)
24. DCE Mackenzie
25. Centro Acadêmico Elio Batista do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Anhembi
Morumbi (CAEB CAUUAM)
26. Coletivo Entre:FAUs
27. Teatro Oficina Uzyna Uzona
28. Associação “Helenira ‘Preta’ Rezende” de Pós-Graduandos da USP - Capital (APG/USP)
29. SP para o Pedestre - Por uma cidade plural
30. Coletivo LabLaje
31. NAPPLAC - Núcleo de Apoio e Pesquisa: Produção e Linguagem do Ambiente Construído
32. FENEA - Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil
33. Escritório Modelo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie - MOSAICO
34. Movimento Nacional de População em Situação de Rua (MNPR)
35. Imargem
36. Espaço de Formação Assessoria e Documentação
37. Rede de Olho nos Mananciais
38. Abraço Guarapiranga
39. TI - Aldeia Guarani Tenondé Porã
40. Movimento Contra o Aeroporto de Parelheiros
41. Casa Ecoativa - Ilha do Bororé
42. Instituto Casa da Cidade
43. Cooperativa Paulista de Teatro
44. Movimento Água Branca
45. Movimento dos Teatros Independentes de São Paulo (MOTIN)
46. Br Cidades
47. Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da Faculdade de Direito da USP (SAJU - USP)
48. Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo
(SATED - SP)
49. Abong associação brasileira de organizações não governamentais - Regional São Paulo
50. Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários Oswald de Andrade (CAELL - Letras
USP)
51. Centro Acadêmico do Instituto de Física da USP (CEFISMA)
52. Salvar o TBC
53. Núcleo de Direito à Cidade da Faculdade de Direito da USP (NDC - USP)
54. LEPUR - Laboratório de Estudos e Projetos Urbanos e Regionais da UFABC
55. Rede Novos Parques
56. Rede Permaperifa
57. Rios e Ruas
58. Aliados do Parque Iguatemi
59. Aliados do Parque Paraisópolis
60. Associação Parque Tucuruvi
61. Associação Paulistana de Comida de Rua
62. Bora Plantar
63. Casa Amarela Afroguarany
64. Casa Amarela Casa de Cultura
65. CASA Brasil – Conselho de Assentamentos Sustentáveis
66. Comitê Parque Novo Mundo
67. Comitê Parque Savoy
68. Creative Commes
69. EarthCode
70. Freeganismo SP
71. Movimento Parque Alto da Boa Vista
72. Movimento Parque Augusta sem Prédios
73. Movimento Parque Jardim Esmeralda
74. Movimento Parque Matarazzo
75. Movimento Parque Paulo Freire
76. Movimento Parque Peruche
77. Movimento Parque São Lucas
78. Muda SP
79. Grupo Técnico de Apoio - GTA
80. Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da USP
81. Sindicato dos Psicológos
82. Coletivo Arrua
83. Um Teto para meu País
84. Movimento União de Moradores de Pinheiros e Lapa - UMOPI
85. Pastoral Fé e Política da Região Belém
86. Escola de Fé e Política Waldemar Rossi
87. Escola de Cidadania da Zona Oeste Butantã
88. Centro Acadêmico Joan Villà (CAJ FAU - Belas Artes)
89. Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo São Judas ( CAAU São Judas)
90. DCE Universidade de Sorocaba
91. União Estadual dos Estudantes (UNE)
92. Fórum Social da Vila Leopoldina
93. Frente Povo Sem Medo
94. MTST - Movimento de Trabalhadores Sem Teto
95. Cidade Viva
96. Associação dos Moradores do Jardim da Saúde - AMJS
97. Sociedade Moradores Butantã/ Cidade Universitária - SMB
98. Sociedade dos Amigos do Planalto Paulista - SAPP
99. Conseg Leopoldina
100. Centro Acadêmico João Mendes Jr. (CAJMR Direito Mackenzie)
101. Grêmio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (GFAU)
102. Movimento dos Trabalhadores sem terra leste 1
103. Unificação das lutas de cortiço e moradia
104. Movimento de Moradia da região sudeste
105. Movimento dos Trabalhadores sem terra zona Oeste
106. Associação dos moradores da conde de são joaquim
107. Movimento em Defesa do Favelado
108. Associação dos Moradores do City Lapa Canto Noroeste - Amocity
109. Associação dos Amigos e Moradores pela Preservação do Alto da Lapa e Bela Aliança-
ASSAMPALBA
110. Conseg Lapa.
111. Conseg Pacaembú Perdizes.
112. UJS - União da Juventude Socialista
113. CAOC - Centro Acadêmico Oswaldo Cruz - Faculdade de Medicina da USP
114. Teatro do Incêndio
115. LABPARC FAU USP
116. Balaio
117. CAV - Centro Acadêmico Vitruvius - IFSP
118. CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
119. Associação dos Amigos do Jardim das Bandeiras - AAJB
120. Associação de Moradores e Amigos da Vila Mariana- AMA-VM
121. Viva Aclimação
122. Escola de Cidadania ZO Butantã
123. Rede ODS Paulista
124. Fórum de Sustentabilidade do Butantã - FSBT
125. Coletivo A São Paulo que Queremos
126. Mundana companhia de teatro
127. Movimento Chácara do Jóquei
128. Movimento Negro Unificado-MNU
129. Levante Popular da Juventude
130. REDE Butantã
131. Associação Cultural do Morro do Querosene
132. Plataforma operária camponesa
133. MNPR SP - Movimento Nacional População de Rua
134. CEDESC - Centro de Desenvolvimento Educacional, Social é Cultural do Parque Fernanda
135. Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
136. Mab movimento de Atingido por barragem
137. Fórum Regional de Mulheres da Zona Oeste
138. CADES Regional Lapa - Conselheiros da Sociedade Civil
139. Coletivo Ocupe & Abrace
140. Associação dos Moradores Amigos do Parque Previdência- Amapar
141. Associação dos Amigos da Praça João Afonso de Souza Castellano
142. Movimento Amigos da Vila Anglo e do Jardim Vera Cruz- MAVA
143. ACRAB - Quilombo a Guaianases
144. Pastoral da Moradia - São Miguel Paulista - Leste
145. Sociedade Amigos do Jardim Londrina- SAJAL
146. União Brasileira de Mulheres - UBM
147. Coletivo Butantã na Luta
148. Movimento Parque Linear Caxingui
149. Associação dos Moradores e Amigos do Sumaré- SOMASU
150. Associação Morumbi Melhor- AMM
151. SOS Pananby
152. Associação Amigos do Pananby-APP
153. Movimento Amigos do Real Parque
154. Movimento Amigos da Rua José Horácio Meirelles Teixeira
155. Movimento Amigos da Rua Crítius
156. Parque do Bixiga

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Você conhece a história da Avenida Santa Marina?

A Avenida Santa Marina -  "a mais antiga via de ligação entre as regiões da Água Branca e da Freguesia do Ó, cujas origens remontam ao século XVII" - é a protagonista da pesquisa, livro-cartaz e exposição “Ó: Caminho, Estrada, Avenida”.

Essa mesma avenida será também objeto da transformação prevista no projeto de prolongamento da Avenida Auro Soares de Moura Andrade, com recursos da Operação Urbana Consorciada Água Branca, e pelas estações de trem e metrô que serão implantadas na sua extensão. Bloqueada na década de 60 pelo muro que protege a linha de trem, ela poderá ser novamente um elo de ligação entre o "lado de cá com o lado de lá" do bairro da Água Branca, hoje só possível por meio de uma escada/passarela.

Exposição do livro-cartaz






















Os cartazes estão expostos em dois locais - dentro da Estação de Trem da Água Branca e ao lado da estação, na Rua Carijós, 260.

A abertura, realizada no sábado dia 17 de fevereiro/18, contou com a participação de moradores que nasceram e ainda vivem no entorno da Avenida Santa Marina.



Dna Vielda, Gilberto Tomé e Chiquinho.

Vielda Brugnera tem 98 anos, participou do projeto contribuindo com suas memórias. Nasceu e ainda mora na Avenida Santa Marina.


Francisco  Ingegnere, o Chiquinho, nasceu na "Vila Nova", que junto com a "Vila Velha", que ficavam na Avenida Santa Marina, eram locais onde moravam operários que trabalhavam na Vidraria Santa Marina. Chiquinho é presidente do Santa Marina Atlético Clube, com sede na mesma avenida, e mantém um grande e histórico acervo de fotografias.

Gilberto Tomé é arquiteto e artista gráfico e realizou o projeto "Ó: Caminho, Estrada, Avenida"


Programação
Participe e conheça esse bonito trabalho

Lançamento do livro de artista, abertura de exposição na estação e vídeo
17 de fevereiro, sábado

• das 11h às 20h: Lançamento da publicação “Ó: Caminho, Estrada, Avenida”, de Gilberto Tomé, com apresentação de fotos, desenhos e outras imagens referentes à pesquisa e desenvolvimento do projeto. Ao mesmo tempo, abre-se também uma exposição dessa publicação na estação Água Branca da CPTM, linha 7 Rubi.
• 18h: Apresentação do vídeo “Linhas e Passagens” de Lívia Escobar Gabbai,  realizado a partir das Caminhadas Gráficas nº 1 e 2, que aconteceram durante o período de elaboração do projeto “Ó: Caminho, Estrada, Avenida”.

Caminhada gráfica
24 de fevereiro, sábado

• das 10h às 13h: Caminhada Gráfica nº 3, com Gilberto Tomé. A “caminhada gráfica” é um percurso de aproximadamente 5 km, que vai do começo da Avenida Santa Marina até o Largo de Nossa Senhora do Ó, na Freguesia do Ó, com a intenção de desenhar e fotografar a paisagem, ou simplesmente observá-la. Durante a fase de pesquisa da publicação foram realizadas duas outras caminhadas abertas ao público com essas mesmas características.

Oficinas abertas de desenho
1, 8 e 15 de março

• das 15h às 18h:  Oficinas abertas de desenho, com Gilberto Tomé – “Desenhar a rua, desenhar na rua” –, abertas ao público, sem necessidade de prévia inscrição.

Primeira exposição de um dia
10 de março, sábado

• das 11h às 16h:  ”Cortes, matrizes e estampas”, gravuras de Paula Escobar Gabbai – com trabalhos que se relacionam com o tema da paisagem da cidade de São Paulo.
Segunda exposição de um dia17 de março, sábado

• das 11h às 16h: Exposição de um dia –  ”Olhares outros” – com fotos, desenhos e imagens de Danilo de Paulo, Rose Steinmetz, James Conway, Paula Janovitch e Renato Hofer realizados a partir das Caminhadas Gráficas nº 1 e 2, que aconteceram durante o período de elaboração do projeto “Ó: Caminho, Estrada, Avenida”;

Roda de conversa sobre projetos urbanísticos na Água Branca 
e a paisagem da Freguesia do Ó
24 de março, sábado


• das 11h às 13h: roda de conversa com o arquiteto Paulo Barbosa, a respeito de projetos urbanísticos relacionados à Operação Urbana Consorciada Água Branca e com Leandro Silva, sobre a paisagem como patrimônio imaterial da Freguesia do Ó.

Contexto histórico da avenida Santa Marina
A avenida Santa Marina não é muito conhecida atualmente por ser uma avenida sem saída para trânsito de veículos. A apenas uma quadra de seu início (no bairro da Água Branca, no ponto em que também começa a movimentada Rua Guaicurus) ela é cortada pela linha 8 Diamante da CPTM, havendo aí somente uma passarela  para travessia de pedestres. Mais uma quadra e logo é também cortada pela linha 7 Rubi, mas existe aí passagem de nível que permite o trânsito de pedestres e veículos, sujeito aos movimentos de sobe-desce da cancela, conforme a aproximação dos trens, avisada pelos apitos dos vigias e pelo gongo metálico típico das sinaleiras ferroviárias. Neste cruzamento se localiza também o acesso para a Estação Água Branca, que existe como parada desde a implantação da ferrovia (a antiga linha Santos-Jundiaí da São Paulo Railway) no século XIX. A origem da avenida Santa Marina está ligada à ocupação do território paulistano.
Na São Paulo seiscentista, o bandeirante Manuel Preto, tendo recebido glebas de terra a noroeste do centro da vila de Piratininga, e a pedido de sua mulher Águeda Rodrigues, ergueu ali uma capela, sobre morro mais elevado, em louvor à Nossa Senhora da Expectação. Era a origem do atual bairro da Freguesia do Ó. Inicialmente, o acesso se fazia sobretudo por barcos pelo rio Anhembi – como era então conhecido este trecho do Tietê –, mas com o tempo um caminho foi se estabelecendo, cortando a ampla e alagadiça várzea, unindo a região da Freguesia à Água Branca.
Esse primeiro eixo de ligação, considerado em sua origem como caminho de Manuel Preto, aparece nos mapeamentos da cidade no século XIX, como Estrada de Nossa Senhora do Ó. Somente em 1912, a estrada é renomeada como Avenida Santa Marina, denominação dada em homenagem à filha Marina do conselheiro Antonio Prado, presidente da Vidraria Santa Marina, fábrica que ali se instalou na última década do século XIX, em terreno vizinho à Estação Água Branca da São Paulo Railway.
Na década de 1950, sendo construída em concreto armado a nova ponte da Freguesia do Ó, a antiga ponte de madeira que situava-se no eixo da Avenida Santa Marina foi desmontada. Permanece hoje, como vestígio curioso dessa antiga ligação, a continuidade do nome da Avenida Santa Marina, tanto no bairro da Água Branca, quanto no da Freguesia do Ó, do outro lado do rio.

E, neste século XXI, mudanças importantes estão previstas para a Avenida Santa Marina: em seus subterrâneos, ao longo de seu eixo, se desenvolverá a Linha 6 Laranja do Metrô, unindo a Vila Brasilândia ao bairro da Liberdade. E as intervenções da Operação Urbana Consorciada Água Branca – plano urbanístico que propõe melhorias no sistema de circulação e mobilidade, de áreas verdes e adensamento populacional – prevê a sua ligação também subterrânea com a Avenida Auro Soares de Moura Andrade.
                                                                                  Do blog https://gilbertotome.art.br